MOZAR DE SOUZA , pastor da 1ª. Igreja Batista de Alfenas


Nem todos podem ver

A história nos diz que Miguelângelo passeava com alguns amigos numa rua obscura na cidade de Florença quando viu um bloco de mármore atirado na sarjeta, meio afundado na sujeira e na lama. Apesar de estar com traje de passeio, aproximou-se imediatamente da pedra, limpando-a e, a todo custo, a arrancou da sujeira.

Seus companheiros, sem entender o que acontecia, perguntaram-lhe o que estava fazendo e que pretendia daquele pedaço de mármore sem valor? Respondeu o grande escultor: “vejo um anjo nesta pedra, preciso tirá-lo dela.” Mandou levar aquela imensa pedra para o seu estúdio e, pacientemente, com o cinzel, conseguiu tirar daquela pedra jogada fora uma lindíssima escultura de um anjo.

Quantos neste mundo não passam de rudes e informes blocos de pedra, sujos pelo tempo, afundados no barro desse mundo, desprezados aos olhos dos formados e dos que só têm dinheiro. Contudo, se trabalhados pacientemente e com amor no coração poderão tornar criaturas geniais. Não importa quão baixo e desprezível uma pessoa possa ser considerada. Mas se alguém acreditar nela e se alguma mão lhe for estendida, o verdadeiro valor aparecerá.

Disse Jesus: “Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que não vêem se tornem cegos.” (Val, atente para esta frase... Não há missão mais importante em ver o valor das pessoas e, além disso, oferecer-lhes uma mínima oportunidade de vencer na vida. Uma missão que é dada não apenas aos padres, aos pastores, aos educadores, aos empresários e a quem momentaneamente ocupa uma posição de destaque na sociedade; mas deve ser uma missão de todas as pessoas que pelo menos o mínimo podem oferecer ao oprimido. Este é o verdadeiro cristianismo: estender as mãos santas às muitas pedras que se encontram enterradas no descaso e no abandono social, gente de valor, contudo estão afundados na lama da ignorância; anjos que sairão de onde não se espera, anjos que brotarão do impossível. Hoje grandes atletas de todas as modalidades, cantores, cientistas, políticos, atores e atrizes tanto honram a nossa pátria porque alguém pôde ver anjos quando eles eram pedras brutas. Pessoas humildes do povo que foram lapidadas e se tornaram famosas.

Sempre que houver dedicação e compaixão, o milagre nunca deixará de surgir. Deus espera do cristão um ato de heroísmo, lutar sempre contra toda injustiça social. É uma batalha dura, pois a injustiça tem aumentado, a indiferença tem crescido e o amor, a cada dia, diminui mais e mais. A luta para ajudar inicia dentro do próprio coração, muitas vezes ferido e retalhado pela ingratidão; mas o cristão não pode fugir da sua missão de amar.

Foi o que mais alegrou o coração de Jesus. Pela sabedoria do Espírito Santo escolheu os seus apóstolos, não homens finos que pertenciam à elite, mas escolheu pedras brutas, corações vingativos e mergulhados no ódio e no rancor para serem poetas do amor de Deus. O cristão não pode viver como cego nesse mundo, precisa olhar, sobretudo, com os olhos da alma e enxergar além da miséria; enxergar o seu próximo com os olhos da esperança. Só olhando com o olhar de fé poderá ver anjos surgir das pedras. Pedra bruta do abandono, mas lapidada com afeto e esperança da graça de Deus.
NEM TODOS PODEM VER!!!

 
   

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